Pensamento Perfeito: O Sono

Havia um homem que necessitava de dormir. Amanhecia criando mundos estranhos em milésimos de segundos. Em qualquer condição, adormecer, significava morrer.

Já em idade avançada entre a meia idade e a velhice, seus sentidos ficavam muito aguçados com o passar do tempo ao ponto de ouvir gritos estridentes dele próprio.

O vento quando sobrava suavemente sobre si, este apóstata sentia o hálito insuportável advindo de úlceras incuráveis por todas as vísceras.

O sol apenas lembrança de muitos intensos momentos de garoto. Quando corria pelos morros e rolava em declives macios de gramas de pastos. Predestinado.

A predestinação com falta de sono imposto pelos sussurros cortantes de lábios que lhe acoitavam sem piedade, era incentivo para a confirmação do seu destino.

Era preciso sonhar. A dúvida revolvia dentro dele se de fato ficasse acordado permaneceria vivo. Tinha mais fé pela morte como necessidade.

Um dia ele conseguira dormir em lua mais de duas horas de sono sem intervalo. Não se lembrara de sonhos e nem de pesadelos. Apenas  acordara, modificado.

Este homem nunca tivera histórias para contar sobre o sono sem som. O que se sabe são apenas essas palavras derretidas por pensamentos imperfeitos de seu escriba.

 

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Pensamento Perfeito: O Chip

Estufa de cetim, assentamento de rei. Sua majestade, a Vida, destina vazio para o que serei. Tudo é muito pouco. Ouço ego dentro do eu.

Uma a uma, a cada frustração, a petrificação dos rins chega até ao coração. Doente fica o corpo e a alma desaceleram em hipotermia.

Inclinado à beira da cama, pensa no que pode lembrar. Sensibilidade mesmo só na inércia. Parado, sem palavras, só tem resto do interior.

Outro mundo, o real, é como se fosse a ponte bucólica com poucos passantes. Sente saudades dos tempos sem câncer, sem paralisia mental.

Tentações não cessam com o esfriamento do espírito em virtualidade abusiva e viciante. Outrora, a pracinha do bairro era tão ocupante.

Assassina, a Vida altiva lhe conduz a caminhos fragmentados e sem sinalizações por teclados frenéticos de mundo paralelos sem sentimento.

Tormentas mesmo a anatomia em coma. Uma catarse carcomendo célula por célula, causada pelo tédio infinito, tomado pela terna solidão.

Desde da infecção, as redes se conectam e gentes nunca tocadas produzem artificiais momentos em troca dos seus reais elementos.

Oscilações, no limiar, são imperceptíveis , até ao acaso de não mais sentir a pernas passeando. Enfermidade não classificada, a tela hipnotiza.

Suas asas voam para aonde os sonhos não podem levar. Tempo passa. O tempo escoa. Um estado de loucura pluralista com cores vibrantes.

Digno de pena os avançados no estágio de completa entrega ao enigmático mundo novo. Instantâneo, efêmero e sem criador. Similaridades.

Poço sem fundo, tomado por imaginação, a solidariedade se intensificam nas palavras, pois não existe mais ação e nem mais a benignidade.

Olhar é aguçado e de maior importância entre demais sentidos. Sorvido por tantas informações, a mente em transe na artificialidade.

Toque no toque superado por neurotransmissor implantado no ponto G do prazer, não havendo mais necessidade da velha coletividade.

Ouvir é indispensável. Apenas importante e opcional. Falar somente pelos dedos. Instinto controlado, um ser novo, recriado, da conectividade.

Cara a cara, na tela, por “Cam”, espelhando práticas primitivas de ver um ao outro de perto ou de longe. Ambiguidade . Rara. Óbitos sem idade.

PENSAMENTO PERFEITO – O Jardim

Correndo entre flores em extenso jardim,  as mais lindas rosas dilaceravam as finas peles. O perfume compensava a dor.

Mortificando o corpo e êxtase flagelo com tão belo existir me ocupava a alma em gramas verdejantes e confortantes.

Paraíso sem fim, quisera o coração ser eternamente florido e com néctar inesgotável e rejuvenescedor.  E o amor?

Natureza com paisagens em quadros, fragmentos com sentimentos indescritíveis da visão que enche do belo o coração!

Sensibilidade maior for, maior o jardim de multicores de pétalas arrebatadoras, construindo palavras em dialeto novo.

Ao pausar para descansar percurso eterno entre brotos, raízes e folhagens, caules ressaltam como pernas luxuriantes.

 Rezar ou orar não há melhor lugar. O jardim saltava aos olhos, semeado e cultivado por inocentes sonhadores.

 Sobre o tapete confeccionado com o dedo de Deus havia outra jardim no firmamento de cima, substituindo as nuvens.

Assinar essa obra de arte só o criador e para entendê-la como se revela, somente um corpo flagelado por açoites corretivos.

Crível o estado inebriante diante de jardim tridimensional. Recorrente impulso para abrir todas as portas desse universo ficcional.

 Incrível mesmo quando se oferece o olfato para o requintado e único cheiro do âmago desse exalado jardim adubado, alado.

 Formas. Ícone. Criação, na verdade, de terras vegetais para anjos nascidos entre homens . O mundo novo tão esperado.

Ostentação de biologia, sem ligação com nenhuma possibilidade de ser decifrada por conhecimento estudado em “gia”.

 Esperança esse jardim oferece a todo ser com alma de criança até adolescência.  Sem precedente para adulto  adúltero.

 Prescindível para desfilar nele, o jardim, os pés que se recusaram andar por descaminhos ou sejam convertidos para a nova era.

 Ícaro preferiu voar para encontrar esperança e fé, contudo foi lançado fora pelo sol das floragem vivificadas pelo clorofila. 

Real  desafio passear por esse jardim , com células pigmentais , sabe qual é? Instigar o jardineiro até ele permitir você entrar.

Todas as espécies de flores, a abrir ou abertas, nesse escondido e guardado jardim, são imortais. Nós! O jardim é eternidade.

PENSAMENTO PERFEITO – O VELÓRIO (CAPITULO 5)

CAPITULO 5

O VELÓRIO

A melhor parte da vida é a morte. O defunto deitado em berço esplêndido, forrado em caixa de madeira, dorme que uma beleza.

Sem assistir a hipocrisia como em vida tolerava em vômito, morto não pode ver a extensão do falso choro dos sepulcros caiados.

O velório é o ápice para o que ficam. Momento de homenagens, palavras nobres: “como ele era bom, um santo homem de Deus.”

A parte do padre ou do pastor é a melhor cena do pré-sepultamento. Derramamento de lágrimas de todas as espécies animais.

Enrijecido, o falecido logo, logo, será esquecido. Entre uma fala e outra, somente a lápide para dele lembrar .

Existem enterros enfadonhos. Faltam quitutes, aquele cafezinho! Os penetras ficam ”P” da vida pela desconsideração.

Como choram os familiares! Parece amor de aliança eterna com defunto, mesmo sendo a segunda das cinco esposas.

Velório é evento inesquecível para alguns. Aquele momento de reflexão profunda, cova rasa : “um dia será a minha vez”.

O adágio popular diz: “Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer”. Alguns até tem medo dela. É um inferno!

Morrer, viver e morrer, como Lázaro, pode não ser vantagem. Sofrer intempéries da vida duas vezes dores dobradas!

Ruim para o morto um caixão de medida errada. Se apertado, dá gastura nas vistas do vivo. Se folgado, maldade do vivo.

Para morrer, basta estar vivo, ditado que grifa ato de coragem de quem o diz. Enquanto não souber que é o próximo da fila.

Duas mortes: a matada e a  morrida. Tudo é igual no final, só muda a forma de morrer. Fica a lamentação para quem fica.

A vantagem de não viver muito está em não sofrer também muito. Os fragmentos de felicidades não valem à pena.

O vivo deve se preparar para o dia. Se envelhecer, abandonado, será dura a ida sem volta. E o  finado merece respeito!

*Por Jackson Rangel Vieira

PENSAMENTO PERFEITO (2)

CAPITULO 2

O CARÁTER

Linha fina divide a idade da inocência da idade da razão. Em momento não sabido, flui os primeiros traços do caráter em metamorfose..

Personalidade abriga o caráter por ser seu construtor, estabelecendo pelo mundo apresentado as regras morais e éticas, quase revogadas.

Hedonismo sofisticado em ritual extensivo das todas as classes sociais como câncer em distensão, constitui novas leis da vivência.

Palavras ecoam sem valor porque a nova geração perverteu e inverteu o mundo com conceitos fora dos parâmetros para uma nova era.

Acaso vira caso de fato dentro da própria virtualidade com todas as impensáveis possibilidades do porvir além pós-modernismo. Medo.

Caráter que traça o destino. Que destino? Ele foi antecipado pela velocidade maior do que a luz em remissão do tempo surrealista.

Despersonalização também acontece quando o caráter fica desbotado mediante a ferrugem da malignidade aceita em suborno.

Toda alma tem seu preço, diz-se o adágio na bocas dos compradores. Nisso, o corpo padece as consequências das concessões fáceis.

Médico e monstro se reencontram por vezes em situações antagônicas e convergentes, assustando a própria estrutura molecular.

Assustador não distinguir a personalidade quando outra assume lugar. A bipolaridade de seres dentro do mesmo invólucro, perturbador.

Duas criaturas, a velha e a nova, se digladiando para uma sobrepujar a outra, remetem o ser a questionar o livre arbítrio e saúde mental.

Quando se esgota o sentimento de culpa, acabaram todas as leis morais e o anarquismo pouco experimentado estimula o id.

Personificação do bem, sob a atmosfera, com dificuldade de ser remédio para erradicar o mal da personalidade. Aguarda-se o céu.

O tempo é o pecado. Na linha cronológica passam tantas emoções construtoras do destino, angustiando os lados do lóbulo.

Os caracteres são distintos e com base no livre arbítrio, quanto para outros estão assentados na predestinação no existir.