PENSAMENTO PERFEITO – O Jardim

Correndo entre flores em extenso jardim,  as mais lindas rosas dilaceravam as finas peles. O perfume compensava a dor.

Mortificando o corpo e êxtase flagelo com tão belo existir me ocupava a alma em gramas verdejantes e confortantes.

Paraíso sem fim, quisera o coração ser eternamente florido e com néctar inesgotável e rejuvenescedor.  E o amor?

Natureza com paisagens em quadros, fragmentos com sentimentos indescritíveis da visão que enche do belo o coração!

Sensibilidade maior for, maior o jardim de multicores de pétalas arrebatadoras, construindo palavras em dialeto novo.

Ao pausar para descansar percurso eterno entre brotos, raízes e folhagens, caules ressaltam como pernas luxuriantes.

 Rezar ou orar não há melhor lugar. O jardim saltava aos olhos, semeado e cultivado por inocentes sonhadores.

 Sobre o tapete confeccionado com o dedo de Deus havia outra jardim no firmamento de cima, substituindo as nuvens.

Assinar essa obra de arte só o criador e para entendê-la como se revela, somente um corpo flagelado por açoites corretivos.

Crível o estado inebriante diante de jardim tridimensional. Recorrente impulso para abrir todas as portas desse universo ficcional.

 Incrível mesmo quando se oferece o olfato para o requintado e único cheiro do âmago desse exalado jardim adubado, alado.

 Formas. Ícone. Criação, na verdade, de terras vegetais para anjos nascidos entre homens . O mundo novo tão esperado.

Ostentação de biologia, sem ligação com nenhuma possibilidade de ser decifrada por conhecimento estudado em “gia”.

 Esperança esse jardim oferece a todo ser com alma de criança até adolescência.  Sem precedente para adulto  adúltero.

 Prescindível para desfilar nele, o jardim, os pés que se recusaram andar por descaminhos ou sejam convertidos para a nova era.

 Ícaro preferiu voar para encontrar esperança e fé, contudo foi lançado fora pelo sol das floragem vivificadas pelo clorofila. 

Real  desafio passear por esse jardim , com células pigmentais , sabe qual é? Instigar o jardineiro até ele permitir você entrar.

Todas as espécies de flores, a abrir ou abertas, nesse escondido e guardado jardim, são imortais. Nós! O jardim é eternidade.

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PENSAMENTO PERFEITO – O VELÓRIO (CAPITULO 5)

CAPITULO 5

O VELÓRIO

A melhor parte da vida é a morte. O defunto deitado em berço esplêndido, forrado em caixa de madeira, dorme que uma beleza.

Sem assistir a hipocrisia como em vida tolerava em vômito, morto não pode ver a extensão do falso choro dos sepulcros caiados.

O velório é o ápice para o que ficam. Momento de homenagens, palavras nobres: “como ele era bom, um santo homem de Deus.”

A parte do padre ou do pastor é a melhor cena do pré-sepultamento. Derramamento de lágrimas de todas as espécies animais.

Enrijecido, o falecido logo, logo, será esquecido. Entre uma fala e outra, somente a lápide para dele lembrar .

Existem enterros enfadonhos. Faltam quitutes, aquele cafezinho! Os penetras ficam ”P” da vida pela desconsideração.

Como choram os familiares! Parece amor de aliança eterna com defunto, mesmo sendo a segunda das cinco esposas.

Velório é evento inesquecível para alguns. Aquele momento de reflexão profunda, cova rasa : “um dia será a minha vez”.

O adágio popular diz: “Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer”. Alguns até tem medo dela. É um inferno!

Morrer, viver e morrer, como Lázaro, pode não ser vantagem. Sofrer intempéries da vida duas vezes dores dobradas!

Ruim para o morto um caixão de medida errada. Se apertado, dá gastura nas vistas do vivo. Se folgado, maldade do vivo.

Para morrer, basta estar vivo, ditado que grifa ato de coragem de quem o diz. Enquanto não souber que é o próximo da fila.

Duas mortes: a matada e a  morrida. Tudo é igual no final, só muda a forma de morrer. Fica a lamentação para quem fica.

A vantagem de não viver muito está em não sofrer também muito. Os fragmentos de felicidades não valem à pena.

O vivo deve se preparar para o dia. Se envelhecer, abandonado, será dura a ida sem volta. E o  finado merece respeito!

*Por Jackson Rangel Vieira

AS NUVENS

CAPITULO 3

Nuvens dizem mais sobre a vida do que as linhas das mãos. Elas aparecem do nada, monstros, e também faces em formação.

No escurecer, quando esses flocos de neves esparramados pelo espaço, todo olho espera, quando negras, a chegada do trovão.

Lugar introspectivo, à beira de límpido lago, entre as mais altas folhagens, o céu azul promete lindas imagens rascunhadas, rasgadas e largadas.

Céu cinza entristece o coração, pois sem cor, este teto reflete no chão os espinhos pelos quais o homem terá nele seu único caminhar.

Quando se concentram e se conectam umas com as outras, lembram exércitos preparados, avançam nos pastos recém-arados.

Se invertessem os lados, as areias do chão brilhariam como estrelas ao anoitecer da lua cheia e o firmamento acima sem seus astros.

Esparramadas e preguiçosas, são produções kafkiana. Espectadores aguardam o desfecho final. É trama. É drama, É lagrimal. Ariana!

São musas dos poetas que olham para o alto na esperança de mais adereços. Quantas oportunas escolhas por fazer em tantos avessos.

Quem nunca as apreciou, nunca saberá o que é vida real. As nuvens são condutoras de energias e vazios em contornos colossais.

Movem-se em blocos para aonde a corrente de ar levar. Porém, escolhem paradas para os predestinados receberem suas cartas e sinais.

Viajam por todos os recantos da Terra e passam por todas as estações: do inverno à primavera, cobrindo de amor os desencantos.

Carregam consigo pasmas as marcas dos corpos incrédulos, também sepultura de almas com fé, cheias de carmas e de ectoplasmas.

As nuvens são testemunhas dos caminhantes errantes e choram torrencialmente com tantas maldades. Choram chuvas, chuvas sem parar.

Salomão, o mais sábio de todos, disse uma heresia, que novidade alguma existia debaixo do céu. Devia procurar mais nas entranhas a fundo.

Somente as nuvens, que vão e vem, sabem de tudo sobre os seres abaixo em todo o tempo, sejam noites, sejam dias. São damas, são vadias.

PENSAMENTO PERFEITO (2)

CAPITULO 2

O CARÁTER

Linha fina divide a idade da inocência da idade da razão. Em momento não sabido, flui os primeiros traços do caráter em metamorfose..

Personalidade abriga o caráter por ser seu construtor, estabelecendo pelo mundo apresentado as regras morais e éticas, quase revogadas.

Hedonismo sofisticado em ritual extensivo das todas as classes sociais como câncer em distensão, constitui novas leis da vivência.

Palavras ecoam sem valor porque a nova geração perverteu e inverteu o mundo com conceitos fora dos parâmetros para uma nova era.

Acaso vira caso de fato dentro da própria virtualidade com todas as impensáveis possibilidades do porvir além pós-modernismo. Medo.

Caráter que traça o destino. Que destino? Ele foi antecipado pela velocidade maior do que a luz em remissão do tempo surrealista.

Despersonalização também acontece quando o caráter fica desbotado mediante a ferrugem da malignidade aceita em suborno.

Toda alma tem seu preço, diz-se o adágio na bocas dos compradores. Nisso, o corpo padece as consequências das concessões fáceis.

Médico e monstro se reencontram por vezes em situações antagônicas e convergentes, assustando a própria estrutura molecular.

Assustador não distinguir a personalidade quando outra assume lugar. A bipolaridade de seres dentro do mesmo invólucro, perturbador.

Duas criaturas, a velha e a nova, se digladiando para uma sobrepujar a outra, remetem o ser a questionar o livre arbítrio e saúde mental.

Quando se esgota o sentimento de culpa, acabaram todas as leis morais e o anarquismo pouco experimentado estimula o id.

Personificação do bem, sob a atmosfera, com dificuldade de ser remédio para erradicar o mal da personalidade. Aguarda-se o céu.

O tempo é o pecado. Na linha cronológica passam tantas emoções construtoras do destino, angustiando os lados do lóbulo.

Os caracteres são distintos e com base no livre arbítrio, quanto para outros estão assentados na predestinação no existir.

PENSAMENTO PERFEITO (1)

CAPITULO I

A ORIGEM

Toda uma vida construindo palavras  em busca dos pensamentos perfeitos. Meio século para superar todas as expressões já pensadas.

Sofrer todos os dias para escrever algo sempre relativo, porquanto o absoluto nunca encontrado até hoje por todos somadores de letras.

Desafio do ser desde concepção é encontrar destino, momento a momento, fazendo backup do mundo conhecido para o HD do inconsciente.

No recôndito da alma, no lado mais obscuro, a força de encontrar a luz do conhecimento, obedecendo a sentidos não equacionados.

Encontrar frases gestadas do infinito, do nada, e depois de nascidas sepultadas – quando não inscritas, humilha qualquer pensador.

Como encontrar o pensamento perfeito, se a imperfeição está injetado em cada partícula da vida, holisticamente? Está no pecado?

Em cada esquina, uma paixão de qualquer tipo dominante. Mas, somente no final da rua é possível encontrar o amor no seu único eu.

A ortografia, a gramática e toda linhagem idiomática não possuem nenhuma relação com o pensamento perfeito. O erro pode fazer parte dele.

Desistir de encontrar a vida em uma frase é suicídio, porque no viver  o homem quer o domínio do verbo, no saber ou na ignorância.

Não encontrar o pensamento perfeito é abraçar a morte e sentir que não vale à pena sobreviver para existir tão precariamente.

Invenção de tudo que na terra há, resume-se em desejo racional e instintivo de conhecer-se. Assim surgiu a palavra felicidade.

Até no prazer mais trivial ao mais promíscuo, encontrar este sujeito realizaria a fantasia da carne e, ainda, alimentaria o espírito, sem a culpa.

Duro crédulos e confessores da fé arguir se existe tal riqueza no alfabeto? Ou  no caos, acha-se a ordem em que se é possível o impossível?

Cansativo dia após dia entender razões dos fatos sem lógica. Pior a sombra da caverna e o medo de se virar e cegar-se ainda mais.

A conta do envelhecimento da pele é angustiante e enigmática. No espaço e no tempo, a limitação  é incômoda e fronteira a ser vencida.