Ferraço não virá candidato a prefeito de Cachoeiro-ES

O deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), não diz e nem desdiz, mas seu método de dissimulação é arcaico e quem o conhece sabe que ele nunca mais virá candidato a prefeito de Cachoeiro de Itapemirim-ES, sua terra natal, depois de sê-lo por quatro mandatos.

Vontade de voltar a ser prefeito cachoeirense, acredito, até existe, mas gato escaldado tem medo de água fria. Depois de duas derrotas para PT, um direta e outra indiretamente, com Glauber Coelho (PSB). Além do mais, ele está fora da geração instagram. É um ignorante digital que faz diferença nas eleições anteriores e futuras.

Ferraço, entrando no motivo específico dos motivos pelos quais não virá nunca mais candidato a prefeito, tem nomes: o governador Paulo Hartung (PMDB) e o seu filho, senador Ricardo Ferraço, também do PMDB, próximo de se mudar com mala e cuia para o PSDB. Tratos e distratos influem!

O governador, parece-me, só quer a ex-prefeita Norma Ayub (DEM), esposa de Ferraço, na Prefeitura de Itapemirim-Es, Município rico no litoral do sul do Estado. Para aí a cota do deputado. Seu filho não apoia a ideia do seu pai em se aventurar por Cachoeiro. Pode atrapalhá-lo a probabilidade de disputar o Governo do Estado ou a reeleição do Senado.

O “ferracismo” está na UTI e limitado em Cachoeiro. Não sobrou muito hoje das chamadas “viúvas” abandonadas. Sobre eleições do próximo ano, temos uns três fortes candidatos e outros “ratinhos” apenas atrás de um “queijinho”.

A idade biológica também conta para Ferraço, contra.

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Ferraço (E) vai se concentrar em apoiar sua esposa Norma a voltar à Prefeitura de Itapemirim e ajudar a administrá-la como no passado

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Casagrande, pedágio e falsos aliados

O governador Renato Casagrande (PSB), hoje (5), em solenidade no Município de Apiacá, pela primeira vez, fez duro discurso contra o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), ao PT e ao deputado petista Rodrigo Coelho. A indignação do Chefe do Executivo Estadual se deve à atitude populista dos protagonistas mencionados em defesa da quebra do contrato de cobrança de pedágio da Terceira Ponte e Rodosol, que envolve a Grande Vitória.

O socialista não economizou críticas ao PT e ao Rodrigo Coelho, em especial, lembrando que o parlamentar foi seu secretário de Ação Social, bem recente. Ele entende que o  petista está visivelmente se afastando da base aliada, com propósito enigmático: aproximação política com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para interesses desconhecidos. Além disso, assessores diretos do governador lembra que Rodrigo engaveta projeto de interesse do Governo.

O governador tem uma fala bem clara sobre a polêmica. Para ele, a matéria é inconstitucional e caso passe no Legislativo será questionada na Justiça pela empresa responsável. O ponto irrefutável da argumentação de Renato Casagrande faz muito sentido: ” Se lutamos, brigamos para que os contratos dos royalties do petróleo não fossem quebrados – e não foram – , como vamos defender a ruptura em situação de direito igual dentro do próprio Estado. Justo é fazer uma auditoria e de modo transparente verificar passibilidade de revisão do pedágio. Menos, populismo oportunista”, defende.

Jogo

No discurso do governador, entre objetividade e indiretas, quando entregava R$ 3 milhões em maquinário na região eleitoral de Rodrigo Coelho que não apareceu ao evento, Casagrande atribui certa morosidade dolosa do presidente da Assembleia sobre as manifestações sobre o tema com objetivo de desgastá-lo, quando, segundo ele, Ferraço já poderia ter encerrado o protesto que se reveza dentro do seu Gabinete no Legislativo, dentro de conversação honesta com os manifestantes com as vertentes das consequências evidentes.

Casagrande, agora, está peregrinando o interior, alertando aos prefeitos que o projeto “inconstitucional” do deputado Euclério Sampaio (PDT) pode ser o caos para os Municípios fora da Grande Vitória. A rescisão do contrato com a empresa responsável pelo pedágio, de acordo com a direção, equivale a quase R$ 1 bilhão. A intenção do socialista é de chamar os Chefes de Executivos para sua base de apoio nesta demanda e contra os deputados interioranos na questão posta.

Sobre sua insatisfação com o PT em si, pode existir duas motivações: o desgaste do PT no Estado e no Brasil, mais muito mais pelo fato dois petistas fecharem questão em votar a favor o projeto de lei que determina o fim do pedágio da Terceira Ponte. E o pior, não existe previsão para sua votação, lembrando-se do recesso iminente do Poder Legislativo. Ou seja, Casagrande ficaria por bom tempo com o ônus de não querer o fim o pedágio. ” Eu gostaria de reduzir, acabar com o pedágio, porém não posso me jogar à ilegalidade, tendo a obrigação de ser exemplo para o cumprimento da ordem e do Estado de Direito”, enfatiza.

A verdade é que o discurso do Governador, que deverá ser repetido com mais ênfase em outros Municípios (amanhã ele estará em Muqui, 10h00), gerou um divisor de água na política capixaba até agora em águas mansas. Porém, sabe-se que existem muitas correntezas para passar debaixo da ponte. O fator Magno Malta (PR) não foi colocado no tabuleiro, até porque, mesmo tendo voto, tem tido  comportamento incongruente em todas áreas, mesclando equívocos com mentiras em várias áreas da atividade humana.

Renato Casagrande está reagindo pelo instinto natural do animal político. Acuado e sofrendo momentâneo desgaste pelo exposto em tela, está mandando recado aos dissimulados: “Eu sou o Governador”.

*Jackson Rangel Vieira é jornalista

O Espírito Santo está fracionado na luta pelo poder

As eleições municipais estão revelando segredos de poderes em conflito. O Judiciário e o Ministério Público estão espremendo um do outro pústulas, não se sabe, ainda, o tamanho do tumor. Conhece-se o personagem em causa: ex-governador Paulo Hartung (PMDB, citado em relatório juidicial como membro de quadrilha e inocentado pelo MP por falta de investigação da fumaça do direito em tela.

A Assembléia em choque com o Governo do Estado vai além da natureza estabanada do deputado Theodorico Ferraço (DEM), atual presidente da Casa. A questão da PEC para sua reeleição está em banho maria por conta do agrupamento político revelado e liderado, justamente, outra vez, por Paulo Hartung e o filho do democrata, senador Ricardo Ferraço (PMDB). Versus governador Renato Casagrande (PSB) e o senador Magno Malta (PR).

Esta triologia Executivo, Legislativo e Judiciário, com valores agregados como o Ministério Público,  movimenta um mercado de submundo que está longe do conhecimento da maioria da população. Falta à Imprensa capixba coragem para produzir jornalismo analítico, opinativo e investigativo para destampar a latrina e tratar o esgoto.

Se o poder não emanar do povo, que poder é este?

Ferraço perde de 6 x 0 no TRE sobre compras de votos em 2008 pelo PT

O presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, Theodorico Ferraço (DEM) tem perdido todas na Justiça, basta lembrar de sua inelegibilidade para o pleito em curso em decorrência de duas condenações por colegiado em segunda instância, envolvendo improbidade quando prefeito de Cachoeiro de Itapemirim.

Desta vez, perdeu em segunda instância, por 6 x 0 , no TRE, a ação ajuizada por ele em 2008, acusando o prefeito eleito, candidato à reeleição Carlos Casteglione (PT), de comprar votos de candidatos de sua coligação.

Na época, havendo o processo, não me omiti e fornecer vídeos de monitoramento da empresa para contribuir em desvendar possível crime eleitoral. E assinei declaração me colocando à disposição da Polícia Federal para quaisquer esclarecimentos sobre a parte que me competia.Nunca fui chamado para tal investigação!

Em ato derradeiro de Juízo da Primeira Instância, por exigência da corregedoria do TRE, a Justiça teve de dar provimento à ação, quando reafirmei o conteúdo das fitas não só de imagem como de áudio. Mas, a sentença da juiza do feito levou em conta a mesma premissa do colega anterior. A soma dos candidatos não alterariam o resultado das eleições, uma sentença meio inusitada, levando a crer que se pode comprar votos desde que não se mude o resultado do pleito.

Acaso os desembargadores entenderem que precisa-se investigar se o vídeo foi montado ou fraudado, terá sido uma tacada de mestre do Ferraço. Perdeu, mas não parou o processo e, ainda, me chama para dentro dele, tirando-me da acomodação, passados quase 5 anos. Deve entender que, assim, eu tomaria partido eleitoral em curso, lembrando que não sou autor da mencionada ação danificada.

Capa da Folha do ES do dia 21 de julho de 2012