Capa da Revista FOLHA/27

Pedágio financia campanhas eleitorais de políticos: do governador a deputados

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Capa da Revista FOLHA/27

A mudez política envergonha o povo

Por Jackson Rangel Vieira

O presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Pedro Valss Feu Rosa, deveria ganhar a homenagem como o “Homem do Ano” pela coragem de enfrentar um tipo de crime organizado invisível no submundo de cartéis formados por colarinhos brancos. Ele sentenciou de morte os seus membros com indescritível destemor.

Diante de quadro nefasto contra a sociedade capixaba, depois de desbaratar quadrilha de alta periculosidade com núcleo em Presidente Kennedy, cidade rica de povo pobre, requereu força tarefa da Polícia Federal ao Ministério da Justiça. Sabia que os tentáculos da corrupção extrapolavam as fronteiras do litoral, com ramificações em quase todos os Municípios.

Pedro Valls Feu Rosa não colocou todo peso de sua autoridade legítima, como também a força do idealismo incomum no arcabouço de seu habitat, tão criticada pelo povo em razão da falta de celeridade que promove injustiça. Ele responde ao clamor da população, contudo, a mudez do serpentário político intriga os incautos e promove desconfiança sobre blindagem enigmática.

Não vi e nem li senadores, deputados estaduais e federais, e nem a resposta do ministro Eduardo Cardozo sobre singular apelo. Como capixaba, neste momento, tenho vergonha até pela omissão do governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), em estado letárgico e sobre a linha milimétrica de suposta conivência pelo não extermínio dos corruptos e corruptores.

Nunca, em 30 anos de jornalismo, tinha registrado um Judiciário autocrítico, transparente e com afinidade com a o sentimento popular. Talvez, os políticos não saibam, mas as ações destemidas e o sentimento social do presidente do TJES promoveram no sentimento coletivo a melhor e maior de todas as concepções de Poder: A conscientização de um povo.

O texto pode parecer exagerado para quem tem a visão limitada do que deseja interpretar. Porém, ninguém consegue parar ou matar uma ideia. A pusilanimidade pode atentar contra o  conceptor, mas como gibi, nunca o mal vence o bem.

Não há de falar em Segurança, Saúde e Educação sem erradicar a corrupção. Avante presidente. Os descamisados estão com Vossa Excelência para atravessar o Mar Vemelho e tomar posse da Terra Prometida.

Faltam coragem e intelecto à bancada federal-ES

A Bancada Capixaba sofre de complexo freudiano. Em menor número está abaixo do nível de influência e em intelecto da maioria dos 27 Estados da Federação da República. São raros os arroubos de ousadia e mais escasso, ainda, a capacidade intelectual de seus membros para embates sobre temas nacionais como reformas tributária e previdenciária.

Com 10 deputados federais e três senadores, quase nenhum dos mandatários a serviço dos capixabas ousam, ao menos, construir um artigo representativo para influir na formação de opinião. A maioria foi forjada no conhecimento empírico e, por instinto, representa o Espírito Santo. A passividade dos eleitores a poupa de cobrança singular.

O espírito-santense mais observador guarda para si a vergonha pela falta de qualidade de seus agentes e tolera por ser uma minoria que despreza a natureza instintiva dos mandatários viciado em fisiologismo subliminar. Com este déficit intelectual, o Espírito Santo sofre em meio aos predadores de chip do Congresso Nacional.

O Parlamento foi criado para os oradores convencerem na persuasão, o que exige tese e antítese, exegese e hermenêutica, texto e contexto, enfim, a primariedade de convencer e vencer o adversário em favor dos seus representados. É sofrível assistir um parlamentar gritar da Tribuna, sem nenhuma força de idéia, isto quando omisso.

O Espírito Santo está vivendo momento único de debate sobre a partilha dos royalties. A falta de discernimento em relação à ponderação em tela se justifica, neste caso, pela confusão de pautas e a falta de unicidade na luta. O fato de ser unidade pequena da federação não justifica a retórica vazia e muito menos o analfabetismo na feitura das leis e da interpretação do regimento.

Para dizer que o Espírito Santo sempre foi assim, cito um erudito da minúscula Muqui, cidade do sul do ES, onde residia o saudoso Dirceu Cardoso, talvez o homem público mais corajoso que o Estado já teve e o Brasil já viu. Ele sozinho parava o Congresso Nacional contra o endividamento externo do País. Ele estava certo em obstruir a votação das matérias. Ele morreu! .

Casagrande, Ricardo e Magno: unicidade inquebrável

 

 

A chapa majoritária composta por Renato Casagrande (PSB), a governador, Ricardo Ferraço (PMDB) e Magno Malta, a senador está consolidada como casa construída sobre rocha. Nenhuma imaginação, nem sob efeito alucinógeno,  conseguirá desenhar quadro alternativo.

 Riscou-se nos bastidores, em estilo surrealista, factóide com chapa clandestina entre Rita Camata (PSDB) e Ricardo Ferraço, água e vinho para o eleitorado de ambos, com objetivo velado de tentar emagrecer a candidatura à reeleição do senador Magno Malta. Maldade sem viabilidade!

 A unicidade está administrada pelo senador Renato Casagrande e solidarizada pelos dois candidatos a senadores. Possuem Comitê Centra Único, discurso de reciprocidade à luz do dia, com clara disposição de apresentar suas bandeiras e preparados para o confronto em curso.

 Ao que parece foi feito pacto de lealdade de forma nenhuma força exterior ou estranha, mesmo supostamente amiga, poderá detê-lo do objeto em comum. Delimitaram território e o ciclo é impermeável, contra doenças eleitorais, geralmente, atacam sistema imunológico.

 Casagrande, Ricardo e Magno forma um trindade que simbolicamente estabeleceram para os eleitores a unicidade de propósitos bem definidos: transmitir aos capixabas as bandeiras e planos de luta por um Espírito Santo melhor, sem se curvar a discursos adversários.

 A tônica da chapa majoritária – estive com os três pessoalmente numa reunião de trabalho – é propagar verdades sobre propostas e demolir inverdades, tudo dentro do campo das idéias. Em breve, em todo o Estado, posteriormente na propaganda de televisão, ferramentas sócias na internet, a visualização deste texto ficará mais fixado e ressaltado no consciente coletivo.

 De norte a sul, de leste a oeste, os três caminham a passos firmes e largos, fincando suas bandeiras. Pela primeira vez, percebo unidade tão gritante: Tanto Ricardo quanto Magno mantém o mesmo discurso de Palanque: “Se não votar nele, não precisar votar em mim”.

 A despeito de todas as estratégias horizontais ou verticalizadas, os três já pactuaram uma união própria de irmãos. O que atingir um, atinge o outro. Um por todos, todos por um. É o aviso aos maquiavélicos de plantão, que pensam em dividir para reinar.