Quando todos rejeitam você, por Jackson Rangel Vieira

Momentos em que a solidão não se torna opção. Todos ao seu redor não olham mais você. Sua presença é invísivel. Agora, em situação assim, é só entre ti e Deus. Mas, Deus também é invisível. Só é possível vê-Lo, senti-Lo, pelos olhos da fé.

Essa fase de extrema indiferência das pessoas, mesmas aquelas que você considerava amá-lo incondicionalmente, remete-lhe a sentimentos conflituosos, em busca de explicações racionais. Ao não encontrar lógica, então você se esbarra com a esperança.

Sentir Deus é melhor do que saber da sua existência. Logo, sua condição de infeliz abandono se assenta nos braços da consolação do único e suficiente Remidor de todas miseráveis emoções agudas de dor na alma. A rejeição, a ingraditão, a desonra, enfim, o vaso fissurado será restaurado.

Seu querer, seu crer vai livrá-lo dessa depressão, da invisivibilidade. De imediato, a companhia de três pessoas indescritíveis farão sentido o seu existir: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Com fé e esperança, a solidão será apenas uma palavra no dicionário. E as pessoas que te abandonaram vão precisar da sua experiência de como atravessar o Vale da Sobra da Morte em amizade com multidão de anjos.

By Jackson Rangel Vieira

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Uma lágrima desceu, por Jackson Rangel vieira

Enquanto contrito escrevia mensagem de texto para uma pessoa via msm,  lágrima desceu furtivamente. Eu não choro há muitas décadas – nem me lembro quando -. Sim, as palavras de indignação e angústia, acredito, contribuiram para esse fenômeno lacrimal.

Depois de concluída a tela em palavras, entendi, por um momento, que , talvez, as lágrimas são resultados de transpordamento contido em limite intolerável para um ser humano. Sou gente! O líquido escorrido me deu o selo de qualidade: você é gente! Não fuja disso!

O avanço da humanidade sem alma tem angunstiado o meu espírito. Perdi o ânimo de viver em sociedade cada vez mais falsa. Perdão! Pausa! Lágrimas voltaram a lavar meu rosto neste momento. Será que estou envelhecendo e meu coração está apertado demais pelas mãos de Deus?

Graças ao Senhor que não sei explicar tudo, muito menos momento de reação patológica tão comum entre muitas pessoas sofridas. Não sinto dor.

Sinto ardor de romper, ainda mais, com esse sistema farisáico e levar em conta o meu valor desde o ventre da minha mãe para chorar o bom choro por motivos ainda que inexplicáveis.

De olhos marejados, termino com o sentimento de que algo muito bom me espera! Quando souber, conto-lhes.

By Jackson Rangel Vieira

O protetor do cemitério dos escravos negros

Em algum lugar do principal distrito do mundo, existia uma Fábrica de Cerâmica que atendia no fornecimento de tijolos à região.Com solo rico em argila, aquela enorme Casa Grande e seus fornos artesanais fora um enigma para os moradores que necessitavam passar em ruas próximas, isolada de construções no entorno por conta, justamente, de recorrente aparições do Saci Pererê.

Acima, ao alto monte, o Governo Federal construíra uma escola técnica, obrigando a comunidade criar caminho de trilha ao lado da parte esquerda da cerâmica para os pais levarem seus filhos ao colégio. No período matutino, a atmosfera era positiva. Só se comentava sobre a lenda, mas ninguém se desafiava a conhecer o interior da fábrica de mais de um centenário de existência.

Ao por do sol, tudo mudava para aquela aldeia de moradores. O morro protegia a cerâmica da luz e a sombra encobria toda sua extensão antes do anoitecer. Era quando entre um e outra testemunha se apavorava em contar sua visão do personagem literário do Saci Pererê na entrada, única, do depósito das lamas formatadas para construção. Aparecia no portal como guardião.

Alguns professores, gente com maior intelectualidade, tentavam justificar a sincronia dos contos por várias pessoas diferentes sobre a mesma história. Afinal, qual a simbologia ou verdade sobre o Saci Pererê sair dos livros, amigo das florestas para morar e assombrar as pessoas naquela Cerâmica. Os pesquisadores autodidatas descobriram algo que poderia ter conexão.

E qual seria essa suposição? De fato, historicamente, antes da existência da cerâmica, aquela planície era um cemitério de escravos negros, remanescentes do pós-abolição. Ali, escravos de fazendeiros eram enterrados como indigentes. Mas, porém, o que o cemitério teria a ver com a figura imaginária ou não, do inconsciente coletivo, do Saci? Eis o mistério e a resposta a seguir!

A resposta tinha sentido quanto à origem do protagonista lendário e conexão com os escravos. O Saci, como todos sabem, é um tipo de sentinela das florestas, de uma perna só, fumando cachimbo e ostentava um gorro vermelho. A semelhança gerava uma remota possibilidade do motivo da aparição dele: o Pererê é negro. E matas densas não faltavam ao redor do povoado.

Nunca alguém contara que o Saci tivesse assustado os que o avistaram. Mas o ser humano é medroso por natureza. Só de ele estar lá, quando queria, em estado peralta, com sorriso maroto, apavorava. Supuseram que com avanço da selva de pedras, aos poucos, o Saci tenha decidido morar na Cerâmica para proteger e brincar, provisoriamente, e afastar ao anoitecer os intrusos, em carinho pelos ancestrais açoitados. Tem sentido.

A cerâmica fora demolida para dar lugar a muitas casas e ruas trançadas sobre as lápides inexistentes dos negros submersos metros abaixo do solo argiloso. Com a chegada do progresso, o século 21, o simpático Saci Pererê tinha suas estórias rareadas. Talvez sua missão ali já não fizesse mais sentido.

Ele, quem sabe, fora se apresentar guardião de outras ocultas terras que necessitariam dos seus préstimos de peraltice: cemitérios, celeiros, cerâmicas, em outras paragens, ou florestas, distantes da invasão dos espigões ainda mais assustadores até do que lendários e heróis sensíveis como o Saci Pererê! É possível! É possível!

O Fantasma Sem Mão da Serraria de Madeira

*Jackson Rangel Vieira
 

No lado sul da Capital Secreta do Universo, havia uma serraria de madeira de pequeno porte. Durante o dia era possível os moradores da rua ouvir o serrado das toras em ripas para acabamentos dos futuros móveis. Ela ficava rende à via, sem calçada, e sem calçamento.

As crianças eram proibidas de entrarem dentro da serraria à noite, feriados e finais de semana, quando não havia atividade, apenas o silêncio e a escuridão ou meia luz, mesmo durante o dia. Esta ordem ninguém sabia quem a ordenara, mas o medo estabeleceu a regra.

Era comum alguns garotos mais rebeldes infringirem a lei e, furtivamente, entrarem para brincar com as varas que viravam, por momentos, espadas, até que corriam afugentados para suas casas, narrando para os pais de uma assombração: homem sem braço passeando entre empilhamentos de madeiras.

Essa lenda urbana era o pesadelo noturno da maioria das crianças do bairro. Nenhuma história disciplinar contada a elas como sobre o lobo mal, saci-pererê e outros clássicos funcionavam tanto quanto lembrar que o fantasma sem mão poderia aparecer aos meninos maus.

A estória reza a necessidade do homem sem seus dedos e palmas que só aparecia em aos moleques que entravam no seu lar forrado de pó de serragem. Ele tinha obsessão de dar lição singular: arrancar-lhes as mãos, direita, como reposição de sua perda. Eram o que diziam.

O fantasma sem mão da serraria de madeira, contavam os mais velhos, era um dos trabalhadores mais antigos, já falecido, que perdera sua extensão do braço quando por um descuido provocado por uma criança em perigo iminente na área de empilhamento das toras, quando distraiu-se. A tragédia!

Ao desviar por segundo o olhar e tentar retirar o pequenino de esmagamento por jatobás livres para acabamentos, o pobre serrador deixou a madeira crua em casca puxar em curso pedaço de si para a serra elétrica, espalhando pedaços de nervos e ossos com gritos aterrorizantes.

Nunca mais pôde trabalhar e viria a falecer com ódio de crianças, pois aquela que vira, antes do desmaio, nunca soube dela e se realmente existiu.

A verdade, naquela rua, naquele bairro, as crianças eram mais obedientes e se recusavam a olhar para a serraria quando passavam por ela. Os pais, sempre alimentavam a estória para os filhos mais pirracentos, de que o fantasma do homem sem mão não gostava de malcriação. Funcionava!

A serraria fora desativada e dera lugar a imóvel de dois andares em que funcionam duas igrejas, uma sobre a outra. Claro, nos sermões, nenhum sacerdote cita o caso, nem como metáfora e nem como verdade ou mentira.

Até hoje crianças da preferem não desacreditar na lenda do homem sem mão, contadas de geração a geração. Afinal, revelam os historiadores que ele não conseguiu a mão ideal para a reposição e ser liberto deste plano físico de tormento e de atormentador no imaginário de tantas pessoas que se tornaram adultas sem o seu perdão.

* Jackson Rangel Vieira é jornalista

Duas almas não gêmeas

*Jackson Rangel Vieira
Preconceitos lineares transformam sentimentos bem-intencionados em emoções sem controle. Oscilações angustiantes!
Duas pessoas se conhecem em explosão de paixão proibida. Deixam seus destinos no passado. Tentam dia-a-dia vencer as culpas.
A rotina e os diálogos eram constantes e sem resultados. As razões irracionais e até destrutivas. Ninguém mais se lembrava da paixão e do amor.
Nada diferente de um casal comum. A distância de idade não era tão esticada e não tão curta. Mas, o que o tempo tinha a ver com a paz?
Eles só desejam ser felizes. Contudo, antes, sem planejamento, ninguém mediu a compatibilidade de gênio, muito menos suas almas.
Habitavam numa casa. Porém, nunca houve um lar. Deus era sempre clamado até nas discussões como interventor. Ele nunca os ouviu.
O quarto era maior testemunha das dores que provocavam um ao outro, às vezes, lembrando o início, de como era bom. O passado doía mais.
Como reprises se viram sós. Nada mais fazia sentido. Eram irmãos. A insegurança produzia retardamento do fim. Eles só erraram o alvo.
Cada um deveria seguir seu caminho. As pessoas gostam de finais felizes. Logo, as dúvidas: se morriam tentando ou se tentavam morrendo.