DIÁRIO DE UM JORNALISTA

Por Jackson Rangel Vieira

Mente Proibida: Capítulo 4 – O melhor


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Não sei como chegou à conclusão, mas só brincava se fosse o melhor, da bola de gude ao pique-salva. Do soltar pipa ao pula-carniça. Na porrada, quando necessário, para defender os irmãos mais novos, Udson e Grimaldo. Sentia-se o cara. Um super-herói sem capa.

Na escola, não tinha inteligência privilegiada, porém para ficar entre os três melhores de cada tura e fase, triplicava em esforço. Quando tirou uma nota vermelha conheceu a dor mais aguda dentro de si como se fosse morrer. Vergonha! Medo de se sentir inferiorizado.

Naquilo que não era bom ou ótimo, abdicava de se expor. Treinava a mente com pensamentos intensos sobre tudo. Buscava razões. O porquê era sua essência. Assim, solitariamente, sem didática ou orientação de mentor, prosseguiu ondas de crises existências. Aprendizado.

De tanto buscar a superação nas fraquezas para ser notado como, notadamente, o mais expoente, conheceu a coragem para quaisquer enfrentamento. O destemor só era ativado em causa justificável dentro do padrão entendível pela régua do seu aprendizado. Nunca de modo pueril.

O oponente poderia ser gigante. Não importava. Entendia que estando com a razão, poderia ser dois golias. Encarava. Sua fraqueza estava na introspectividade. Invejava os amigos mais descolados que namoravam, transavam e tinham vida sexual. Continuava avexado nesse compartimento da vida. Paradoxalmente, por outro lado, sentia-se diferente dos iguais.

De qualquer forma era inevitável não notá-lo. Na esquina, caminhando sozinho pelas ruas, no sol e na chuva. Aonde estivesse, estava pensando. Os pensamentos eram suas ferramentas de sobrevivência e motivo para a certeza de que foi escolhido a uma missão, até aquele momento, desconhecida.

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