Espírito Santo, no momento, de pires na mão

O Espírito Santo, segundo o Instituto Jones Santos Neves, medidor da economia e logística do Estado, fechou 2019 com zero de crescimento. Uma queda de 13% na produção industrial ajudou nessa estagnação.

Hoje, 15 de abril de 2020, o Espírito Santo está quebrado. Manteve a nota A na credencial para endividamento somente porque o governo do Estado conseguiu liminar para não pagar dívidas junto ao Governo Federal.

O governador Renato Casagrande (PSB) tem errado na mão ao se ajuntar a outros colegas mais poderosos, politicamente, como do Executivo de São Paulo, João Dória (PSDB); e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), fustigando o presidente da República, Jair Bolsonaro.

Casagrande pode levar o ES ao buraco que Albuino Azeredo e Zé Ignácio levaram e com a complacência da imprensa. Já usou todo o ativo do início do governo ( 1.5 bi de royalties ) , do acordo da união dos poços de petróleo; R$ 1 bilhão do aumento para a PM; R$ 1 bilhão da queda do barril de US$ 60 para 24.

A equação sobre a economia do Espírito Santo até 2018 estava estável. Por exemplo, em comparação com 2016, no total, o PIB do Estado em 2017 cresceu 0,5%, o que representou R$113,4 bilhões. O anúncio foi feito no final de 2019.

Com o decreto de isolamento horizontal (fecha tudo), quando medirem 2020, será o menor PIB, proporcionalmente, de toda história espiritossantense, com cerca de 400 a 500 mil desempregados. Uma tragédia social e fiscal.

O coronavírus, por incrível pareça, poderá salvar o Estado de um fechamento de caixa vexaminoso. Isso, porque o Congresso Nacional vai liberar para os Estados e Municípios R$89,6 bilhões, um sangramento no erário federal sem mexer um centavo nos Fundos Partidário e Eleitoral.

O próprio Tribunal de Contas do Estado admite ou auditou que os 78 Municípios do Espírito Santo não aguentam mais três meses sem ajuda do Governo Federal. E até esse dinheiro chegar, já se foram mais de 120 dias. O confinamento horizontal reduziu em quase 50% a receita de ICMS.

Nesse momento, é vantajoso o governador capixaba se incompatibilizar com o presidente e se aliar e alinhar-se com os democratas Rodrigo Maia (Câmara Federal) e Davi Alcolumbre (Senado), como “boias salva-vidas”.

Agora, mesmo com a generosidade do Congresso Nacional, Casagrande vai precisar de mais destreza para lidar com o colapso social e manter uma realidade fiscal quase impossível diante do nefasto quadro produzido pelo alarmismo e pânico, com a complacência da Imprensa mercantilista.

A tese é que a prioridade é a vida. A economia é secundária. Porém, seria muito mais apropriado o pragmatismo de unificar as duas áreas num só núcleo unicelular. De modo vertical. Holístico.

Politicamente, o governador não se atentou para uma realidade eleitoral: 70% dos capixabas são Bolsonaro. Como o ES vai sobreviver depois que a pandemia for embora? Por decreto, nenhum estatista vai extirpar a miséria do seu povo. A sua assessoria de qualidade questionável, exceções, atrapalha muito.