As máscaras dos foliões simbolizam o esquecimento da realidade em troca de um trecho de fantasia de um mundo irreal em que o grito não é de alegria, mas de dor

Entre o dia primeiro e seis de março acontecerá a Festa do Carnaval no Brasil. Uma tradição de origem religiosa que encobre a nefasta realidade de milhões de “aleijados” impedidos do direito à dignidade.

Mesmos os incautos, muito mais estes, são sugestionados anos pós anos a se dopar para esquecerem a vida de gueto, assim como um viciado em busca do seu vício para fugir da cruel realidade em que vive.

Poucos governantes têm coragem de pausar a tradição enquanto houver fila da morte nos hospitais ou unidades de saúde bem como moribundos desempregados levando o corpo arrastado sem espírito para a rendição.

São bilhões em gastos por todo o País. Do presidente ao prefeito, ninguém se importa com esse paralelo dimensional antagônico. Pular Carnaval e externar alegria em cantos, com fantasias milionárias, é um escarro na sociedade marginalizada e usurpada nos seus direitos básicos.

A alegria efêmera proporcionada nesses dias não pode ser um valor incondicional superior ao conceito da vida e suas necessidades. O Carnaval, a julgar pela sua origem, deveria ser efeito de um sacrifício em memória do livramento do homem da morte pela morte de outro Homem.

Entretanto, no período do Carnaval é quando ocorrem os excessos, mortes e atrocidades, sem nenhum vínculo humanista ou espiritualista. É a comemoração da desgraça no primitivismo antropofágico sob a licença da covardia dos outorgados que deveriam cuidar de sua gente.