cesar-colnago-1-696x464
Vice-governador César Colnago é acusado pelo deputado de crime eleitoral

O vice-governador César Colnago foi para São Mateus, no Norte do Estado, tentar salvar o prefeito Daniel Santana, do seu partido, o PSDB, e fez festa, levando junto o secretário de Agricultura, Octaciano Neto. Todos tucanos. E lançaram mão de um expediente sórdido, logo detectado na caixa de ressonância política do Estado, a Assembleia Legislativa, pelo deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD), que é da base do Governo, mas não costuma engolir sapos.

São Mateus enfrenta sérios problemas com abastecimento de água potável. O serviço é entregue pelo SAAE, autarquia municipal, e houve um colapso em 2016, em meio à crise hídrica vivida pelo Estado, do que se aproveitou Daniel Santana, com apoio de César Colnago, para distribuir água de sua fonte mineral para a população desesperada, o que o Ministério Público Eleitoral entendeu como crime e denunciou.

Resultado: Daniel Santana, também conhecido como Daniel da Açaí (PSDB), foi cassado pela Justiça Eleitoral da Comarca, recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), onde perdeu de novo e, com a ajuda do governador Paulo Hartung (a Folha divulgou o vídeo em que Paulo não desmente uma afirmação de que é ele, o governador, quem segura Daniel no cargo), está mantido na Prefeitura graças a uma liminar concedida pelo próprio presidente do Tribunal, desembargador Anibbal Rezende Lima, enquanto espera o julgamento de seu recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

TRATORADA
Pois não é que, na última quinta-feira (8), César Colnago saiu em defesa de seu protegido, anunciando, em São Mateus, um improvável convênio da Cesan com o SAAE para melhorias no serviço de água tratada do município?! “Isso é uma falácia”, reagiu o deputado Enivaldo dos Anjos.

“Como eles vão fazer esse convênio se nem o presidente da Cesan estava lá? A solução passa, sim, entregando o serviço de saneamento e água tratada para a Cesan, mas a empresa tem que ressarcir o município. Este é um patrimônio que vale pelo menos R$ 100 milhões”, acrescentou o parlamentar.

Para Enivaldo dos Anjos, o vice-governador foi para São Mateus tentar salvar seu protegido e promover “uma tratorada na Câmara de Vereadores, que merece mais respeito. Afinal, são os vereadores que vão decidir ou não sobre o assunto”.

“O SAAE já demonstrou incompetência para resolver o problema do abastecimento de São Mateus – que já está com 130 mil habitantes e deverá ter uma explosão populacional nos próximos anos, devido à retomada de suas principais atividades econômicas -, entendo que a solução é a Cesan assumir o serviço, mas não pode ser de graça, porque isso é um patrimônio de todos os mateenses”, disse Enivaldo.

Para o deputado, a assinatura do convênio entre o SAAE e a Cesan, numa solenidade pomposa, foi “uma falácia, uma tentativa desesperada do vice-governador de salvar a pele de seu apadrinhado, que nos próximos dias terá sua cassação confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral”. Enivaldo condenou o uso político eleitoral de uma necessidade premente da população da cidade.

“Estão fazendo política eleitoral em cima do desespero da população. Levaram até o secretário da Agricultura, cuja pasta não tem a menor relação com água urbana. Fizeram um verdadeiro circo no gabinete do prefeito para pressionarem a Câmara a aprovar uma farsa e só tinha cinco vereadores, da base do prefeito. Se a Cesan tem interesse, por que seu presidente não estava lá? Se o vice-governador queria ajudar, o certo seria conversar com a Câmara, que é quem vai ter a prerrogativa de decidir o assunto. O serviço de água de São Mateus é um patrimônio que vale mais de R$ 100 milhões”, observou.

Para Enivaldo dos Anjos, “o gesto do vice-governador é mais uma tentativa de legitimar um crime político eleitoral cometido pelo atual prefeito e pelo qual ele está sendo cassado pela Justiça Eleitoral, já tendo sido condenado em duas instâncias”. Com a autoridade de quem já presidiu o Conselho de Administração da Cesan, Enivaldo salienta que um trabalho da grandeza do que precisa São Mateus “não acontece em menos de dois anos, e o que estão fazendo é vender uma solução que não virá, até porque a Câmara precisa aprovar”.

A solenidade promovida pelo prefeito Daniel Santana (PSDB), com as presenças do vice-governador César Colnago e do secretário de Agricultura Otaciano Neto, ambos do mesmo partido do prefeito, teve apenas cinco vereadores: Francisco Amaro (PTdoB), líder do prefeito na Câmara, Aquiles Moreira (PMN), Paulo Chagas (PT), Jaciara Teixeira (PT) e Doda Mendonça (PRP).

A Câmara de São Mateus, presidida por Carlos Alberto Gomes Alves (PSB), tem outros cinco vereadores: Jozail Fugulim (PTB), Antonio Luiz Cardoso, o Temperinho (PRTB), Jerri Pereira (PRTB), Jorge Luiz Recla (PTB) e Ajalirio Caldeira (PHS), de oposição, juntamente com o próprio presidente.

Anúncios