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Jornalista Rogério Medeiros paga alto preço por praticar o jornalismo independente

Esta poderia ser também uma crônica com o título “o triste fim de um sonho de uma noite de verão”, mas ainda não acabou, porque não chegou ao fim o projeto de Rogério Medeiros, o decano dos jornalistas capixabas, de manter um jornal eletrônico diário com características de independência.

Em março, faz 18 anos que o Século Diário foi criado, mas, perdeu, em 7 de dezembro de 2017, portanto, há pouco mais de 40 dias, o núcleo central que o manteve pelo menos nos últimos 11 anos, com um jornalismo agressivo e, em alguns momentos, contundente, do tipo que quase não se vê mais, fazendo contraponto à imprensa tradicional regional.

O editor José Rabelo e os repórteres Nerter Samora Júnior, Renata Oliveira, Henrique Alves e Lívia Francez deixaram a empresa e, do núcleo antigo, somente ficaram as jornalistas Manaíra Medeiros, filha e herdeira do “velho cacique” Rogério, e Fernanda Couzemenco, especialista em meio-ambiente. Agora, o Século Diário tenta sobreviver, integrando os jornalistas Roberto Junquilho e Jussara Batista, mas vive dias dos mais difíceis de sua existência.

A situação ficou crítica nos últimos dois anos e a Redação chegou a passar quatro meses sem conseguir receber salários. Mesmo assim mantinha-se firme, em nome o ideal de fazer um jornalismo à margem do poder político local.

Segundo os bastidores da notícia, Rogério entendeu que precisava reformular o modelo de negócio. Foram pensadas várias alternativas, até em um coletivo de jornalistas, para sustentar o projeto através de Fundações que investem nesse tipo de jornalismo.

O sonho do grupo fez água. De todas as formas, o Século foi sendo bloqueado, com dezenas de processos judiciais, pagando um preço caro pela pretensão de fazer jornalismo independente.

Com o “quase fim” do Século Diário, o Espírito Santo corre o risco de perder um bastião de combate à política da unanimidade imposta desde 2003 por Paulo Hartung, parcialmente interrompida pelo governo de Renato Casagrande, entre 2011 e 2014, apesar dos torniquetes impostos à sua administração pela ocupação de postos estratégicos por aliados hartunguistas, como parte do acordo que o elegeu. E Casagrande acabou pagando caro por isso, perdendo a reeleição em 2014.

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