Eu, o Carnaval e a Igreja Católica


*Por Jackson Rangel Vieira

Dias desses, postei na rede social que não gosto do Carnaval. Nunca pulei Carnaval. Destaquei que sua origem tem ligação direta com a Igreja Católica, com nexo causal do advento da Quaresma.

Fui mau interpretado por católicos que interpretaram como uma crítica ao catolicismo e ao mesmo tempo renegando a ligação intrínseca e histórica.

Num primeiro momento, levei as ponderações prolixas como falta de entendimento, depois fiquei estupefato pelas considerações pessoais e raivosas. Qual foi a questão? De que a Igreja Católica não tem nada a ver com o surgimento do Carnaval.

Entretanto, não poderia mentir mesmo simples e curto post sobre determinação do papado para abafar excessos da época dentro do período da Quaresma.

A Igreja Católica buscou então enquadrar tais comemorações. A partir do século VIII, com a criação da quaresma, tais festas passaram a ser realizadas nos dias anteriores ao período religioso. A Igreja pretendia, dessa forma, manter uma data para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período da severidade religiosa.

Durante os carnavais medievais por volta do século XI, no período fértil para a agricultura, homens jovens que se fantasiavam de mulheres saíam nas ruas e campos durante algumas noites. Diziam-se habitantes da fronteira do mundo dos vivos e dos mortos e invadiam os domicílios, com a aceitação dos que lá habitavam, fartando-se com comidas e bebidas, e também com os beijos das jovens das casas.

O registro resumido acima sobre o surgimento do Carnaval equivale a todas pesquisas que se possa fazer em todos motores de busca e livros de ordem cultural, filosófico e religioso.

A palavra carnaval é originária do latim, carnis levale, cujo significado é retirar a carne. O significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.

Ora, não se trata, no meu caso criticar os aspectos culturais e nem ofender a Igreja Católica e seus adeptos. Além do mais, nunca a própria Igreja Universal (Católica) emitiu nenhuma bula papal proibindo seus fiéis a participarem da festa, como coerência das orientações antecessoras do século VIII.

Hoje, a maioria das denominações religiosas, incluindo a Igreja Católica, promovem retiros espirituais nesse espaçamento para fugir, supostamente, da Festa da Carne.

Não vou comentar a comercialização do evento e o pretexto da equação turística. Encerrando a dissertação do tema: a origem de uma festa ligada a esta ou aquela religião não desfaz a verdade na linha do tempo.

A alegria exposta no pula-pula pode sim ser uma definição de inclusão social, mas nenhum noticiário deixa de informar o saldo pós Carnaval das atividades criminosas, com mortes e violência com mais intensidade do que em outras épocas.

Quarta-Feira de Cinzas. A data é um símbolo do dever da conversão e da mudança de vida, para recordar a passageira fragilidade da vida humana, sujeita à morte. Coincide com o dia seguinte à terça-feira de Carnaval e é o primeiro dos 40 dias (Quaresma) entre essa terça-feira e a sexta-feira (Santa) anterior ao domingo de Páscoa.

Vou ignorar questões morais envolvendo libertinagem e perversões, os excessos com prejuízos imensuráveis à sociedade, muito bem especificada na arte cinematográfica intitulada “Filhos do Carnaval”, de  Cao Hamburger e Elena Soarezval.

O final da prosa é o mesmo para mim: não gosto do Carnaval !!!

*Jackson Rangel Vieira é jornalista e colaborador do PORTAL FOLHA DO ES

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