Havia um homem que necessitava de dormir. Amanhecia criando mundos estranhos em milésimos de segundos. Em qualquer condição, adormecer, significava morrer.

Já em idade avançada entre a meia idade e a velhice, seus sentidos ficavam muito aguçados com o passar do tempo ao ponto de ouvir gritos estridentes dele próprio.

O vento quando sobrava suavemente sobre si, este apóstata sentia o hálito insuportável advindo de úlceras incuráveis por todas as vísceras.

O sol apenas lembrança de muitos intensos momentos de garoto. Quando corria pelos morros e rolava em declives macios de gramas de pastos. Predestinado.

A predestinação com falta de sono imposto pelos sussurros cortantes de lábios que lhe acoitavam sem piedade, era incentivo para a confirmação do seu destino.

Era preciso sonhar. A dúvida revolvia dentro dele se de fato ficasse acordado permaneceria vivo. Tinha mais fé pela morte como necessidade.

Um dia ele conseguira dormir em lua mais de duas horas de sono sem intervalo. Não se lembrara de sonhos e nem de pesadelos. Apenas  acordara, modificado.

Este homem nunca tivera histórias para contar sobre o sono sem som. O que se sabe são apenas essas palavras derretidas por pensamentos imperfeitos de seu escriba.

 

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