Estufa de cetim, assentamento de rei. Sua majestade, a Vida, destina vazio para o que serei. Tudo é muito pouco. Ouço ego dentro do eu.

Uma a uma, a cada frustração, a petrificação dos rins chega até ao coração. Doente fica o corpo e a alma desaceleram em hipotermia.

Inclinado à beira da cama, pensa no que pode lembrar. Sensibilidade mesmo só na inércia. Parado, sem palavras, só tem resto do interior.

Outro mundo, o real, é como se fosse a ponte bucólica com poucos passantes. Sente saudades dos tempos sem câncer, sem paralisia mental.

Tentações não cessam com o esfriamento do espírito em virtualidade abusiva e viciante. Outrora, a pracinha do bairro era tão ocupante.

Assassina, a Vida altiva lhe conduz a caminhos fragmentados e sem sinalizações por teclados frenéticos de mundo paralelos sem sentimento.

Tormentas mesmo a anatomia em coma. Uma catarse carcomendo célula por célula, causada pelo tédio infinito, tomado pela terna solidão.

Desde da infecção, as redes se conectam e gentes nunca tocadas produzem artificiais momentos em troca dos seus reais elementos.

Oscilações, no limiar, são imperceptíveis , até ao acaso de não mais sentir a pernas passeando. Enfermidade não classificada, a tela hipnotiza.

Suas asas voam para aonde os sonhos não podem levar. Tempo passa. O tempo escoa. Um estado de loucura pluralista com cores vibrantes.

Digno de pena os avançados no estágio de completa entrega ao enigmático mundo novo. Instantâneo, efêmero e sem criador. Similaridades.

Poço sem fundo, tomado por imaginação, a solidariedade se intensificam nas palavras, pois não existe mais ação e nem mais a benignidade.

Olhar é aguçado e de maior importância entre demais sentidos. Sorvido por tantas informações, a mente em transe na artificialidade.

Toque no toque superado por neurotransmissor implantado no ponto G do prazer, não havendo mais necessidade da velha coletividade.

Ouvir é indispensável. Apenas importante e opcional. Falar somente pelos dedos. Instinto controlado, um ser novo, recriado, da conectividade.

Cara a cara, na tela, por “Cam”, espelhando práticas primitivas de ver um ao outro de perto ou de longe. Ambiguidade . Rara. Óbitos sem idade.

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