CAPITULO 4

 A INSÔNIA

Madrugadas de olhos abertos enxergam horas difíceis assim que amanhecer. O sono sequestrado faz a cruz pesar mais.

Passados anos até ao envelhecer, a fadiga não mais interrompe tristezas e choros durando todo escuridão da noite por dentro.

Foi o dia seguinte autor da privação do adormecer compensado com leituras sintetizadas em caracteres obrigatórios da síntese.

Enquanto minha companheira respira ruidosamente em sono profundo, estas palavras são criadas com esforço incomum.

De tudo, permanecer acordado e ver a luz do dia invadindo frestas do quarto ofertam a sensação de que se está vivendo mais.

Alguns não resistem a imposição dessa perda de descanso como cadáver esparramado no leito em modo de espera. E sofrem.

Angústia que não passa. Tristeza que se firma. Depressão que dói. São tantas emoções em desequilíbrio, sentidas em intensidade.

Fechar os olhos por alguns instantes é dádiva de Deus, principalmente, para os crédulos em oração implorando por pesadelos.

No centro da calmaria noturna, a inquietação tremula os músculos em reação ao ataque constante do sistema nervoso em gritos.

Quando o meio dia chega, o abrir de olhos doídos pelo sono falso, interrompido linearmente, tem-se vontade de não se levantar mais.

Antes sonâmbulo, reagindo em defesa dos que os olhos viram e do que o corpo fez, a ter de confessar intimidades noite após noite.

Maldição para muitos, a insônia corrompe o relógio biológico, na maioria das vezes, sem reparação. A alma precisa descansar.

Sozinho, ouvindo apenas os habitantes das trevas, aqueles que dormem ao dia e acordam à noite para prazeres e perversidades.

Como câncer, sem cura, a insônia castiga por toda sua vida até perecer de enfado, com reduzidos dias consumidos por ela.

Como morte vencida, o vive de olhos abertos não teme a lápide e arrisca a inscrição: “Aqui jaz alguém que nunca fechará os olhos.”

*Por Jackson Rangel Vieira

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