O Fantasma Sem Mão da Serraria de Madeira


*Jackson Rangel Vieira
 

No lado sul da Capital Secreta do Universo, havia uma serraria de madeira de pequeno porte. Durante o dia era possível os moradores da rua ouvir o serrado das toras em ripas para acabamentos dos futuros móveis. Ela ficava rende à via, sem calçada, e sem calçamento.

As crianças eram proibidas de entrarem dentro da serraria à noite, feriados e finais de semana, quando não havia atividade, apenas o silêncio e a escuridão ou meia luz, mesmo durante o dia. Esta ordem ninguém sabia quem a ordenara, mas o medo estabeleceu a regra.

Era comum alguns garotos mais rebeldes infringirem a lei e, furtivamente, entrarem para brincar com as varas que viravam, por momentos, espadas, até que corriam afugentados para suas casas, narrando para os pais de uma assombração: homem sem braço passeando entre empilhamentos de madeiras.

Essa lenda urbana era o pesadelo noturno da maioria das crianças do bairro. Nenhuma história disciplinar contada a elas como sobre o lobo mal, saci-pererê e outros clássicos funcionavam tanto quanto lembrar que o fantasma sem mão poderia aparecer aos meninos maus.

A estória reza a necessidade do homem sem seus dedos e palmas que só aparecia em aos moleques que entravam no seu lar forrado de pó de serragem. Ele tinha obsessão de dar lição singular: arrancar-lhes as mãos, direita, como reposição de sua perda. Eram o que diziam.

O fantasma sem mão da serraria de madeira, contavam os mais velhos, era um dos trabalhadores mais antigos, já falecido, que perdera sua extensão do braço quando por um descuido provocado por uma criança em perigo iminente na área de empilhamento das toras, quando distraiu-se. A tragédia!

Ao desviar por segundo o olhar e tentar retirar o pequenino de esmagamento por jatobás livres para acabamentos, o pobre serrador deixou a madeira crua em casca puxar em curso pedaço de si para a serra elétrica, espalhando pedaços de nervos e ossos com gritos aterrorizantes.

Nunca mais pôde trabalhar e viria a falecer com ódio de crianças, pois aquela que vira, antes do desmaio, nunca soube dela e se realmente existiu.

A verdade, naquela rua, naquele bairro, as crianças eram mais obedientes e se recusavam a olhar para a serraria quando passavam por ela. Os pais, sempre alimentavam a estória para os filhos mais pirracentos, de que o fantasma do homem sem mão não gostava de malcriação. Funcionava!

A serraria fora desativada e dera lugar a imóvel de dois andares em que funcionam duas igrejas, uma sobre a outra. Claro, nos sermões, nenhum sacerdote cita o caso, nem como metáfora e nem como verdade ou mentira.

Até hoje crianças da preferem não desacreditar na lenda do homem sem mão, contadas de geração a geração. Afinal, revelam os historiadores que ele não conseguiu a mão ideal para a reposição e ser liberto deste plano físico de tormento e de atormentador no imaginário de tantas pessoas que se tornaram adultas sem o seu perdão.

* Jackson Rangel Vieira é jornalista

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