O governador Renato Casagrande (PSB), hoje (5), em solenidade no Município de Apiacá, pela primeira vez, fez duro discurso contra o presidente da Assembleia Legislativa, Theodorico Ferraço (DEM), ao PT e ao deputado petista Rodrigo Coelho. A indignação do Chefe do Executivo Estadual se deve à atitude populista dos protagonistas mencionados em defesa da quebra do contrato de cobrança de pedágio da Terceira Ponte e Rodosol, que envolve a Grande Vitória.

O socialista não economizou críticas ao PT e ao Rodrigo Coelho, em especial, lembrando que o parlamentar foi seu secretário de Ação Social, bem recente. Ele entende que o  petista está visivelmente se afastando da base aliada, com propósito enigmático: aproximação política com o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para interesses desconhecidos. Além disso, assessores diretos do governador lembra que Rodrigo engaveta projeto de interesse do Governo.

O governador tem uma fala bem clara sobre a polêmica. Para ele, a matéria é inconstitucional e caso passe no Legislativo será questionada na Justiça pela empresa responsável. O ponto irrefutável da argumentação de Renato Casagrande faz muito sentido: ” Se lutamos, brigamos para que os contratos dos royalties do petróleo não fossem quebrados – e não foram – , como vamos defender a ruptura em situação de direito igual dentro do próprio Estado. Justo é fazer uma auditoria e de modo transparente verificar passibilidade de revisão do pedágio. Menos, populismo oportunista”, defende.

Jogo

No discurso do governador, entre objetividade e indiretas, quando entregava R$ 3 milhões em maquinário na região eleitoral de Rodrigo Coelho que não apareceu ao evento, Casagrande atribui certa morosidade dolosa do presidente da Assembleia sobre as manifestações sobre o tema com objetivo de desgastá-lo, quando, segundo ele, Ferraço já poderia ter encerrado o protesto que se reveza dentro do seu Gabinete no Legislativo, dentro de conversação honesta com os manifestantes com as vertentes das consequências evidentes.

Casagrande, agora, está peregrinando o interior, alertando aos prefeitos que o projeto “inconstitucional” do deputado Euclério Sampaio (PDT) pode ser o caos para os Municípios fora da Grande Vitória. A rescisão do contrato com a empresa responsável pelo pedágio, de acordo com a direção, equivale a quase R$ 1 bilhão. A intenção do socialista é de chamar os Chefes de Executivos para sua base de apoio nesta demanda e contra os deputados interioranos na questão posta.

Sobre sua insatisfação com o PT em si, pode existir duas motivações: o desgaste do PT no Estado e no Brasil, mais muito mais pelo fato dois petistas fecharem questão em votar a favor o projeto de lei que determina o fim do pedágio da Terceira Ponte. E o pior, não existe previsão para sua votação, lembrando-se do recesso iminente do Poder Legislativo. Ou seja, Casagrande ficaria por bom tempo com o ônus de não querer o fim o pedágio. ” Eu gostaria de reduzir, acabar com o pedágio, porém não posso me jogar à ilegalidade, tendo a obrigação de ser exemplo para o cumprimento da ordem e do Estado de Direito”, enfatiza.

A verdade é que o discurso do Governador, que deverá ser repetido com mais ênfase em outros Municípios (amanhã ele estará em Muqui, 10h00), gerou um divisor de água na política capixaba até agora em águas mansas. Porém, sabe-se que existem muitas correntezas para passar debaixo da ponte. O fator Magno Malta (PR) não foi colocado no tabuleiro, até porque, mesmo tendo voto, tem tido  comportamento incongruente em todas áreas, mesclando equívocos com mentiras em várias áreas da atividade humana.

Renato Casagrande está reagindo pelo instinto natural do animal político. Acuado e sofrendo momentâneo desgaste pelo exposto em tela, está mandando recado aos dissimulados: “Eu sou o Governador”.

*Jackson Rangel Vieira é jornalista

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