As dores marcam o histórico existencial. A primeira dor, pela ordem, foi quando brincando sob a chuva, correndo ao redor do pé de abiu, em meio à lama, tropecei com um dedo em especial, do pé esquerdo, sendo o amigo do dedão quase decepado por uma boca de manilha escondida até que a achei em sangue. Minha mãe levou-me para o hospital e fiquei em casa com o pé para cima até firmar a cicatrização.

Em outra casa, próxima, entre paredes pareadas, tinha hábito de subir utilizando as costas e os dois pés até chegar ao terraço do vizinho, onde era cultivada uma videira. E descia da mesma forma com alguns cachos, a maioria verde. Mas, um dia me faltou sorte, para não dizer descuido, e cai do alto a baixo, ralando as costas e parte das pernas. Esta imagem está fixada pela profundidade das dores.

Quando me aventurava a tomar banho de riacho, senti mais presente a morte, pois sem saber nadar como os adolescentes maiores, fui arrastado pelas correntezas do raso para áreas mais fundas. Com água ao nariz, senti muito medo. Fui resgatado pelos colegas mais experientes. Aquele medo não foi suficiente para me inibir de tentar de novo.

Em casa, quando meu padrasto estava em casa, confesso, a possibilidade de apanhar eram reais. Como o mais velho dos irmãos, era disciplinado com mais exigência. E por não ser seu filho, mas enteado, umas boas palmadas e “correadas” significavam rituais quase semanais, quando ele chegava de viagem como caminhoneiro do trecho entre Cachoeiro de Itapemirim-ES X Vitória X MG.

Bem, tive muitas dores. Relatando as da infanto-juvenil. Carrego uma marca do lado direito lombar quando tentei pular de uma pedra para outra num córrego do bairro, caindo entre lodo, águas e pequenas rochas. Enfim, algumas dores de criança. As dores de adulto estão por ser narradas entre, também, alegrias.

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