Preciso voltar ao tempo depois de conversar ao telefone com um primo, na época, mais chegado do que um irmão. Na adolescência, tivemos experiências fantásticas a cerca de sentir emoções diferentes entre tantas iguais.

Compartilhávamos ideias, pensamentos sem ideologia, sentimentos que apenas arrebatavam nossas vidas, do simples ao complexo. Marcas na alma, feridas no corpo, elevação do espírito. Como animais siameses. Instintivos.

Ficou aprisoada a imagem da “sereia no lago”, uma criança tomando banho no riacho com traços marcantes além beleza. Olhos contemplando um anjo sem nome, sem endereço e que nunca mais a veríamos. Raro instante de fixação!

Entre a origem do mesmo riacho da sereia, havia um lugar sob abóbada de uma linda mata, pedras, areia branca e águas límpidas. Era um santuário para dois meninos que sentiam a presença do Criador pela mãe natureza. O templo foi batizado por nós como “Lugar Introspectivo”.

Entre tantas lembranças, uma outra multicolorida. Andando na estrada de chão, cercada de folhagens invasoras, como saindo do casulo, uma borboleta dançou entre nós, mostrando suas asas que, somada as duas, em desenhos circulares com cores distintas, um código de número 80. Hipnotizador.

Este tempo místico pode não voltar mais, também não é preciso. Está dentro da gente, para sempre!

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