Conversando com plantas e me descobrindo


A introspecção, fizera-me um adolescente místico. As dores eram expansivas no meu mundo interior. Quanto ao mundo exterior, sentia-me indestrutível, invisível e vitorioso por achar-me diferente dentre outros seres. Não tinha certeza de nada, contudo me considerava predestinado a uma grande missão, como abrir o Mar Vermelho.

A partir dos 12 anos, pelo registro do diário em livro, comecei a conversar com plantas. Gostava de cuidar da vida vegetal em vasos da minha mãe. Eu conversava sobre tudo: guerras, pessoas, sexualidade, perguntava e me conectava com as feições da folhas e pétalas várias. Foi criando em mim um espírito poético aquela sensibilidade.

Havia um lugar específico, num quintal cheio de pampoulas, uma planta esquia com  pétalas brancas e também coloridas, onde costumava me sentar numa mureta e fazer questionamentos sobre a vida. O vento era o pêndulo que, para mim, significava, quando passava entre aquelas folhagens, a decodificação das inquirições.

Era o nascimento de um jovem homem se descobrindo.

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