Sem precisão, sobre curtos tempos de crianças, vou relatando as imagens espectras. O primeiro pesar de morte, quando no quintal da minha casa, onde me lembro de grande parte das peraltices, jogava pedras sobre um pássaro branco, acho, já doente. Depois do feito, senti o forte sentido de arrependimento.

Ali, naquele quintal, eu, meu irmão do meio, e alguns amigos, se dependuravam sobre uma cerca de madeira para assistir a quase cinco metros de distância, a televisão do vizinho. Era prazeroso, no sol ou na chuva, ver vultos em movimento no vídeo hipnotizante. Nunca fomos convidados a entrar. Esta parte me chama atenção. Por que?

Ao lado da minha casa, havia uma serraria de móveis e uma lenda urbana: um fantasma que morava dentro daquele posto de trabalho. A descrição era de que o espírito desencarnado tinha um braço sem mão, serrada ali, durante em vida, num acidente de trabalho. Quando a gente entrava lá com os colegas, eram com olhos esbugalhados.

Passando o play, a maior alegria foi quando meu padrasto trouxe de surpresa a primeira televisão, em preto e branco, para a sala. Não tinha como descolar os olhos, assistindo desenhos animados e a novela Irmãos Coragem. Foi a libertação da cerca do vizinho enigmático.

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