Ministério Público: dois pesos e duas medidas


Por Jackson Rangel

Estou acamado, em recuperação de recente cirurgia. Não consigo ficar sem ler ou me informar sobre o que acontece no mundo, no Brasil, no Estado e na minha cidade. A revolução tecnológica proporciona esta vantagem.

Li e sorri quanto ação do MP de Cachoeiro de Itapemirim-ES em face do vereador Roberto Bastos (PMN) e da jornalista e sua ex-servidora Jullyane Rocha Alvez. Que celeridade! E que peça bem fundamentada! Pede cassação, punição na largura da lei para ambos.

O estardalhaço todo por conta, de fato, erro administrativo ilegal da ordem de R$ 2.815,73 (dois mil oitocentos e quinze reais e setenta e três centavos). E a petição infere a expressão por algumas vezes de “enriquecimento ilícito” e “má-fé”. Audaciosa!

Não me manifestaria, com a liberdade de expressão a mim salvaguardada pela Constituição, se a ordem sistêmica dos poderes não produzisse suspeitas sobre si e não conhecesse os personagens. Relato:

1 – Pesar a caneta em quem abonou presença em valor acima descrito, cuja folha de pagamento passa por tramitação esdrúxula, dando certeza de má fé do parlamentar, no mínimo, para mostrar serviço, colocando em forca, suposto criminoso como de alta periculosidade, na praça pública;

2 – Se este caso recebesse o mesmo tratamento de outras que, estes sim, estrangulam a sociedade, desviando milhões, calar-me-ia, pois a Justiça seria para todos os agentes públicos. O MP deveria fazer uma blitz na Câmara de Vereadores e no Executivo para certificar se não existem mais fantasmas do que exorcistas;

3 – Em todos os setores têm a banda podre. No Ministério Público, com exceções, também tem ala criminosa. Existe tabela para salvar político de acordo com a função, em conluio com outra ala de advogados, a banca suja, funcionando como um tipo de lavagem de propina. Se isto existe? Um dia a banca vai quebrar!;

4 – A Justiça não pode fechar os olhos para esta realidade. Não é justiça se a inferência tem dois pesos e duas medidas. Ficar escolhendo a dedo crime para impactar e valorizar a imagem da Instituição, não é algo decente a se fazer. Vamos cassar e prender todos os bandidos. Lá, cá e acolá;

5 – O que tenho visto até agora é a coberta da impunidade. A improbidade vem acontecendo aos olhos de crianças em Cachoeiro de Itapemirim. E quando vejo um extrato volumoso contra um vereador que abonou presença de uma servidora, imputando-lhes crime de enriquecimento ilícito, dá é vontade de chorar.

6 – Por critério tão rigoroso, a partir da má-fé, tenho certeza, deveriam ser punidos verdugos que, se apropriam da chamada lacunas para colocar em prática a máxima: “aos amigos, a lei; aos inimigos, o rigor da lei”.

Depois de já ter presenciado um presidente da subsecção da OAB e um padre mentirem em Juízo, não acredito em mais nada vindo deste modelo amorfo de poderes incestuosos. Entretanto, creio no Ministério Público como melhor órgão para zelar pela ordem pública e na Justiça como referência máxima de garantir os direitos de cidadania. Acima, só Deus!

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