A Bancada Capixaba sofre de complexo freudiano. Em menor número está abaixo do nível de influência e em intelecto da maioria dos 27 Estados da Federação da República. São raros os arroubos de ousadia e mais escasso, ainda, a capacidade intelectual de seus membros para embates sobre temas nacionais como reformas tributária e previdenciária.

Com 10 deputados federais e três senadores, quase nenhum dos mandatários a serviço dos capixabas ousam, ao menos, construir um artigo representativo para influir na formação de opinião. A maioria foi forjada no conhecimento empírico e, por instinto, representa o Espírito Santo. A passividade dos eleitores a poupa de cobrança singular.

O espírito-santense mais observador guarda para si a vergonha pela falta de qualidade de seus agentes e tolera por ser uma minoria que despreza a natureza instintiva dos mandatários viciado em fisiologismo subliminar. Com este déficit intelectual, o Espírito Santo sofre em meio aos predadores de chip do Congresso Nacional.

O Parlamento foi criado para os oradores convencerem na persuasão, o que exige tese e antítese, exegese e hermenêutica, texto e contexto, enfim, a primariedade de convencer e vencer o adversário em favor dos seus representados. É sofrível assistir um parlamentar gritar da Tribuna, sem nenhuma força de idéia, isto quando omisso.

O Espírito Santo está vivendo momento único de debate sobre a partilha dos royalties. A falta de discernimento em relação à ponderação em tela se justifica, neste caso, pela confusão de pautas e a falta de unicidade na luta. O fato de ser unidade pequena da federação não justifica a retórica vazia e muito menos o analfabetismo na feitura das leis e da interpretação do regimento.

Para dizer que o Espírito Santo sempre foi assim, cito um erudito da minúscula Muqui, cidade do sul do ES, onde residia o saudoso Dirceu Cardoso, talvez o homem público mais corajoso que o Estado já teve e o Brasil já viu. Ele sozinho parava o Congresso Nacional contra o endividamento externo do País. Ele estava certo em obstruir a votação das matérias. Ele morreu! .

Anúncios