Lembro-me, repuscando no fundo da memória, alguns lances não sincronizados, com meus avós, nos caminhos rurais. Subindo um morro, de carrinho de plástico, de onde se via o Cristo Redentor de Guaçui-ES. Não sabia para aonde estava indo, somente que tropeçava em direção a uma rotina importante para eles.

Saindo da primeira imagem, vejo-me no paiol cheio de millho e vagens de feijão, combinado com uma máquina manual de moagem de cana. Uma casa de madeira suspensa com pilares de pau. Um quintal com cercas de arame. E depois, o susto de uma tia ao se deparar com uma cobra. Meu avô a matou sem piedade.

Não sei a idade tinha, mas deveria ser entre 3 e 5 anos. Não me lembro de nenhuma outra ciscustância em que brinquei. A melhor lembrança depois disso foi eu sentado sobre a charrete do meu tio, a caminho da cidade para comprar mantimentos e leite para minha mamadeira.

Depois dessas memórias, nada passa mais no recôndito da mente. A imagem da minha mãe é nenhuma. Ela era jovem de 17 anos. Teve um aborto de uma irmã às 14 e me teve aos 15. Tornou-se mãe num momento sofrível, em romance rápido com um pai que nos abandonara. Nunca o vi.

Dai em diante, as lembranças florescem mais intensamente. Terei prazer de retratá-las como foram, sem remediar quaisquer uma delas.

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