A minha casa caiu. A real. A virtual. A espiritual. Estou sem teto, sofrendo as intempéries da estrada. Corpo cansado. Alma penada. Acho-me numa encruzilhada, decisão por tomar. E urgente!

O que sinto não pode ser sentido por ninguém. É pessoalíssimo. Parece que eu errei em algum ponto depois da partida. A forma melhor de definir o erro é nominar e pronto. Não tenho esta permissão.

Lembro-me, na construção das palavras, de prometer a superação. Antes eu passar por todas as dores a outras no meu raio de visão. Logo, é incoerente, agora, aos 30 minutos do segundo tempo, reclamar.

Já não sou mais criança. Isto já é preocupante. Gostaria de sê-la, novamente. Ser adulto é torturante. As responsabilidades são impostas e sufocantes. Por outro lado não abdicar de aceitar as fases.

Ninguém tem nada com os meus mundos. Interior e exterior. São meus. Bem verdade, tem gente, próxima e distante, sempre almejando se apossar deles, sem conhecer a fauna e a flora. O deserto.

Este texto não tem como ir mais longe. A quem importa, se minha casa caiu; se alegoricamente; em forma surrealista; real, senão aos inconvenientes e detestáveis coadjuvantes ao derredor, responsáveis pela derribada?

Nada melhor concluir o pensamento com a interrogação, ainda mais partindo de quem carece, no silêncio, decidir como prosseguir. Em qual caminho seguir?

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