Vereadores de Cachoeiro de Itapemirim viraram vergonha nacional. Com exceções, reveladas pouco a pouco, na medida de suas manifestações públicas, parlamentares cachoeirenses são personagens de achincalhe desde postagem da gravação no canal da Folha do ES no You Tube, envolvendo o escândalo protagonizado pela vereadora Arlete Brito, negociando tíquete alimentação com servidora da Câmara.

O motivo da generalização reside no fato da vereadora durante a gravação dizer, contundentemente, seus colegas se valerem da mesma prática, ou seja, rachar salários e tíquetes alimentação com assessores, jogando todos na vala comum. Além do mais, demonstra na fita poder de indicação a cargo de direção, citando o diretor de Patrimônio e Segurança, Francisco Temporim, como seu “pau mandado”. Tira e coloca outro na hora de seu desejo.

A reportagem da Folha, a partir da gravação no You Tube, ocupou os noticiários de sites, blogs e jornais de todo o Espírito Santo, além de redes nacionais de televisão, com ênfase para o apresentador da TV Bandeirante, José Datena, mostrando o vídeo e pedindo cadeia para a vereadora. A TV Record e a TV Globo, assim como o SBT e suas afiliadas veicularam a matéria, em alguns casos, considerado bizarro, a vereadora Arlete Brito se coloca como ré confessa.

Em entrevista à TV Sul, o corregedor da Câmara de Cachoeiro, Tenente Moulan, se mostrou firme no seu posicionamento, sem emitir juízo de valor, mas admitindo ser de bom alvitre até uma auditoria da Polícia Federal no Poder Legislativo para fazer uma varredura. “Não pode é prevalecer espírito de corporativismo para nos envergonhar ainda mais perante a população, enfatiza o vereador militar do PV.

A presidência da Egrégia Casa ainda não se manifestou oficialmente em defesa dos demais vereadores, mas a pressão é grande por parte dos parlamentares que se sente ofendido pela declaração da vereadora. “Ando na rua e as pessoas ficam abortando a gente como se, realmente, praticássemos ou tivéssemos a mesma conduta da vereadora. Isto tem de ser corrigido com a punição adequada pela falta de decora, eximindo os políticos honestos, disse envergonhado vereador.

Nunca na história da Câmara de Vereadores escândalo atinge o centro dor Poder Legislativo. Nem mesmo a cassação do vereador Fábio Mendes Glória, mais política, repercutiu tanto. As suspeitas sobre desvio de conduta da vereadora Arlete Brito vem desde os tempos de sindicalista no Sindicomerciário, de onde recebeu parte de financiamento de campanha. Depois, desavergonhadamente, a prática de nepotismo direto e indireto na Câmara e na Prefeitura Municipal.

O prefeito Carlos Casteglione, do mesmo partido, o PT, nomeou recentemente Arlete Brito para ser Secretária de Habitação e Trabalho, mas no iminente escândalo a exonerou, discussão dentro do partido tomada mesmo antes do carnaval e somente anunciada na quarta-feira de cinzas. Com isso, o Chefe do Executivo respira aliviado por não ter seu nome veiculado ao da vereadora, não sendo mais ela sua secretária. Antes de estourar a boiada, abriu a porteira.

Os vereadores estão dentro do adágio popular: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. De uma coisa eu sei. Se ela não for cassada, a renovação da Câmara de Vereadores vai subir de 60% para 90%, porque o eleitor não vai perdoar. Até mesmo quem é candidato a deputado estadual nestas eleições, não havendo antídoto, poderá ser chamuscado com o escândalo.

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